Diante de uma tragédia como a haitiana, qual deveria ser o papel da imprensa? Observar ou participar? Assumir o papel de provedor de informações para que outros tomem decisões, ou considerar-se parte do desafio e transformar-se numa plataforma onde a população possa dizer o que pensa e quer?
Estas perguntas estão na cabeça dos jornalistas há muito tempo. Não é preciso ir voltar muito no tempo. Há semanas, a enchente de São Luiz do Paraitinga colocou a população desta cidade paulista diante de um dilema parecido com o de Porto Príncipe, só que em escala muito menor.
A imprensa funciona bem quando se trata de mostrar o desespero dos sobreviventes, o drama dos feridos e o show da ajuda. Mas tragédias como a do Haiti tem um componente muito mais dramático que a imprensa geralmente ignora porque ele só aparece depois que os enviados especiais vão embora e que as equipes de socorro também já retornaram à suas bases.
A reconstituição do futuro de uma cidade ou um país atingidos por uma grande tragédia pode demorar anos, enquanto o socorro aos sobreviventes e o enterro das vítimas duram semanas. No primeiro momento a imprensa está presente, mas depois são os sobreviventes que tem que assumir sozinhos o desafio de reconstituir a esperança, o que convenhamos é uma tarefa sobre-humana, para quem perdeu tudo e tem que refazer primeiro a sua própria vida.Clique aqui e continue a leitura.

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